Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Nada será como antes...

Um dos movimentos mais significativos da história da música brasileira completa 35 anos. O Clube da Esquina, embora haja discordância no meio histórico, pode ser considerado como um movimento musical, pois, dentro da sua estética musical, conseguiu unir elementos regionais, basicamente de Minas Gerais, com críticas sutis e mensagens cifradas ao regime militar vigente no Brasil nos anos 60/70, conseguindo, inclusive, resistir a censura e a repressão militar.
A discordância que ocorre no meio histórico se dá por que há uma consideração que o Clube da Esquina foi uma reunião casual de músicos em Belo Horizonte, na esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, bairro Santa Tereza, onde morava a família Borges. Algumas coisas acontecem meio que por acaso, e ganham proporções maiores, quando se possuem ideais. Para quem desejar saber mais sobre esta atmosfera, sugiro a visita ao site www.museuclubedaesquina.org, bem como a leitura do livro "Os sonhos não envelhecem", escrito por Márcio Borges, um dos participantes do movimento. Boa leitura!

Longa ausência

Depois de merecidas férias, e de problemas de login pelo meu servidor na volta das mesmas, estou de volta, espero que com mais freqüência.

Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Independência ou morte? Descanse em berço forte.

Esta semana, o Brasil comemora mais um aniversário de sua Independência política. Vale a pena utilizar esta data para algumas reflexões.
Podemos primeiramente analisar o dia 7 de setembro de 1822 como um fato isolado, uma atitude impulsiva de D.Pedro ante a algumas notícias recebidas de Portugal. Havia realmente uma tendência da Metrópole, principalmente após a Revolução do Porto em 1820, de se retirar consideravelmente a autonomia da colônia brasileira.
Ou podemos pensar o ato da independênca como sendo uma tendência normal, afinal, algumas colônias da América Espanhola já estavam se emancipando, talvez até sem condições sócio-econômicas equivalentes às nossas; seria então apenas uma questão de tempo para que o Brasil conseguisse sua emancipação política.
Prefiro considerar que o grito de D.Pedro seja apenas a consumação do que ocorria no Brasil a partir da chegada da Família Real Portuguesa por estas bandas, em 1808. Historicamente falando, D.João VI, na prática, foi o primeiro governante efetivo destas terras tropicais. A sua estada deixou um legado de transformações sócio-econômicas jamais experimentada por cá. Apesar da falta de empenho para o trabalho por parte da corte portuguesa e do bloqueio continental executado por Napoleão, o incremento do comércio marítimo com a Inglaterra, a criação do Banco do Brasil, a abertura de ruas próximas ao Paço (como a Rua Direita, hoje Primeiro de Março), a instauração de um Ouvidor no local onde hoje se encontra a rua com o mesmo nome, podem ser consideradas marcas da modernidade, ainda que incipiente, para o Brasil.

Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

Folclore

Aprendi na Universidade que, mais do que qualquer coisa, é necessário entender e respeitar qualquer manifestação cultural de qualquer sociedade, para que possamos compreender o "modus operandi" de uma determinada civilização.
Nesta semana, em que comemoramos o Folclore Brasileiro, vale sempre lembrar que neste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza (salve, Jorge Benjor!), a nossa cultura e o nosso folclore é um caleidoscópio infinito, multifacetado, e que nos permite compreender, somar idéias sobre o Brasil. Não devemos nunca pensar em dividir e rotular grupos étnicos e culturais, pois como diz uma música de Vinícius Cantuária, "somos todos índios". Índios, negros, brancos, orientais, árabes... E viva o Folclore!

Revirando-se na tumba

O Senador Renan Calheiros fez um discurso no Senado, a princípio para se defender, mais uma vez, das várias acusações a ele imputadas. Chegou a citar Rui Barbosa, figura histórica da Velha República oligárquica que comandou o Brasil no final do século XIX e início do século XX, ao insistir, segundo ele, na "defesa da verdade nesta casa". Sem entrar em juízo de valor de A, B ou C pessoas e lembrando que este acusado senador era da "tropa de choque" de Fernando Collor quando este, infelizmente, foi presidente do Brasil, irei citar outro personagem histórico: "Dize-me com quem andas e te direi quem és".

Terça-feira, 14 de Agosto de 2007

Tropicália e Modernismo

Hoje, finalmente consegui fazer uma das coisas que eu gosto: dar uma caminhada e parar em uma banca de jornal para olhar as novidades da mídia impressa. Me deparei com duas publicações que continham a foto de Caetano Veloso na capa e me "lembrei" que, em 2007, a Tropicália comemora seus 40 anos de surgimento.
Acredito que possamos comparar a importância histórica da Tropicália com o Modernismo em 1922. Ambas têm suas semelhanças históricas. Por exemplo, as duas agregavam entidades culturais diversas, como a música e as artes plásticas. O Modernismo estava, assim como a Tropicália, em busca de uma identidade cultural própria, incorporando e valorizando elementos culturais nacionais em sua predominância, sem, no entanto, abrir mão de valores estéticos estrangeiros. E ambos os movimentos representavam e questionavam situações sociais e políticas da época, de maneira até certo ponto irreverente, principalmente a Tropicália, apesar de a conjuntura política brasileira em 1967, em função do Regime Militar, ser mais tensa.
O que importa neste raciocínio rápido é que, tanto o Modernismo como a Tropicália nos deixaram um legado cultural importantíssimo para o nosso país, além de servir como um instrumento de compreensão de suas épocas. Vale a pena pesquisar sobre estes dois movimentos.

Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

Hitler e a cultura judaica

Foi publicada uma reportagem no site BBCBrasil.com bastante interessante. Nesta, uma filha de um general da extinta URSS reencontrou discos de música gravados por artistas de origem judaica, como Wagner, Tchaikovski, Beethoven, que foram encontrados na evacuação do Bunker de Hitler pelo seu pai. A autenticidade foi confirmada através de selos nos discos que continham a palavra "Führerbunker".
Trata-se de um verdadeiro achado histórico, pois demonstra que a cultura judaica era bastante apreciada na Europa, mesmo com a crise do Liberalismo, que era o grande baluarte da sociedade deste continente desde o final do século XIX, e que culminou com um sentimento anti-semita. O anti-semitismo pode ser considerado um dos estopins dos regimes nacionalistas (entre eles o Nazismo) na Europa, pois os judeus, por estarem presentes em várias nações européias - principalmente no Império Austro-Húngaro e na Alemanha - em posições sociais privilegiadas, como a Burguesia, eram considerados os responsáveis pelas mazelas sociais destas nações.
Este apreço pela obra musical destes compositores judeus por Hitler nos mostra o quanto os regimes nacionalistas de então eram contraditórios e hipócritas, pois mascararam as suas realidades sociais, suas mazelas, e não conseguiram abafar a cultura de uma determinada sociedade, mesmo quando está separada e espalhada pelo mundo, como a sociedade judaica.